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A Quarentena do Consumo

O dia: 13 de maio de 2020;  Nós: Estamos todos de quarentena voluntária, em média 48% da população da cidade de São Paulo está em suas casas e, os que tem este privilégio, estão trabalhando remotamente. São mais de 12 mil mortos no Brasil. No mundo, já ultrapassamos os 292 mil mortos faz um certo tempo.

Pouquíssimas vezes o mundo se encontrou no estado em que está neste momento. Os estímulos de compra, que movimentam um capitalismo mais feroz, como o desejo, conveniência e necessidade, foram substituídos quase que imediatamente pelo medo da escassez, pelo isolamento e pelas diversas fakes news que se espalham tão incontrolavelmente quanto o Covid-19. O que antes era algo linear e simples, como uma ida ao mercado ou restaurante, hoje é múltiplo e extremamente complexo.

O ato de consumir, antigamente partia do deslocamento ou do trabalho e agora começam diretamente da residência do consumidor. Tal mudança gerou uma nova estratégia de consumo, que agora é melhor planejado, além de toda busca por praticidade e proteção a saúde. Desta forma, todo e qualquer serviço que disponha destes dois pilares começam a ganhar cada dia mais notoriedade e importância para a vida do consumidor no cenário atual.

Um movimento que já vinha ganhando força e forma a respeito do consumo mais local e de pequenos e médios empreendedores, torna-se ainda mais relevante neste momento por diversos fatores, mas um dos principais dele, pela praticidade e agilidade em pivotar o modelo de negócio tradicional para um sistema digital, através do uso de aplicativos de delivery.

Pequenos mercados de bairro ou lojas geolocalizadas nas proximidades das residências dos consumidores passaram a ser um dos principais pontos de compra, o que antes era feito de forma mais pontual ou em casos de emergência. Os aplicativos de delivery que eram utilizados de forma mais ativa aos finais de semana, passam a ter compras mais recorrentes e diárias, tanto para refeições prontas, como também para itens básicos de mercado.

Essas pequenas mudanças na forma de compra na quarentena tornam o gatilho de consumo mais racional, o que causa um déficit considerável nas compras de oportunidade ou por impulso.

Porém, pontos emocionais foram colocados em evidência neste momento, principalmente quando o assunto se trata de solidariedade. O consumo que agora começa dentro de casa, muitas vezes transcende as quatro paredes do consumidor e se extende ao vizinho que pode vir a ser um grupo de risco. Mas, como falado anteriormente, parte dessas compras que antes eram feitas em grandes mercados e redes, agora, são executadas em mercados e quitandas nos locais mais próximos.

Das categorias de consumo que mais sofreram alterações, estão as de alimentação básica, higiene e remédios que tiveram altas consideráveis nas vendas. E-commerce e serviços de streaming lideram a preferência dos consumidores, de acordo com a FecomercioSP. Mas, devido grande partes das empresas adotarem de forma consciente o trabalho remoto, aquisições que antes eram feitas por impulso, por exemplo na hora do almoço ou na saída do trabalho, sofrerão baixas mais expressivas.

Um estudo da Nielsen identificou seis etapas em torno das preocupações com o surto do Covid-19:

1 – Compras proativas para a saúde

2 – Gestão de saúde reativa

3 – Preparação da despensa

4 – Preparação a vida em distanciamento social

5 – Vida restrita

6 – Vivendo uma nova normalidade

Todos eles estão ligados a sobrevivência, abastecimento de emergência e suprimentos de saúde. Ainda segundo a pesquisa, as mudanças de hábitos que mais se destacaram foram:

O crescente interesse por produtos para a manutenção geral da saúde e bem-estar. Priorização de produtos essenciais para a contenção do vírus, saúde e segurança pública. Armazenamento de alimentos e uma vasta gama de produtos de saúde. Aumento das compras online e diminuição das visitas às lojas. Viagens de compras restritas, preocupações com o aumento do preço. Retorno às rotinas diárias, mas com cautela renovada sobre a saúde.

Vale analisarmos a transitória do mundo em relação as suas pandemias, compreender as mudanças atuais de consumo e tentar prospectar como será o novo normal após a quarentena do Covid-19 e como essa nova consciência do que é necessário e o que não é alterará diretamente o novo contexto e comportamento de consumo.

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