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Sexualidade e Gênero na Educação

A sexualidade humana é compreendida como uma construção social que tem como alicerces sólidos a história e a cultura que recorrentemente necessita ser revisitada e pensada a fim de refletir a imensidão de referências que fortalecem a naturalização dos preconceitos de gênero, diversidade sexual, etnia e classe social.

É compreendido que a educação nas escolas não é capaz, intelectualmente, de solidificar os ensinamentos de gênero e sexualidade pelo fator estrutural na formação acadêmica dos professores que ausenta em mérito curricular o aprendizado sobre a Sexualidade.

Entende-se que os preconceitos de gênero e sexualidade nas escolas geram rupturas profundas no processo de desenvolvimento, formação e aprendizagem dos/das educandos/as que saem dos padrões constituídos historicamente e considerados “normais” perante as normas impostas na conduta social e cultural.

A palavra escola vem na etimologia ETIM lat. schŏla,ae ‘ocupação literária, assunto, matéria; colégio, aula’. A palavra “escola” tem sua origem na Grécia antiga, com SKHOLE, que foi evoluindo até o Latim SCHOLA. Os termos de ambas as línguas tem o mesmo significado, “discussão ou conferência”, mas também significavam “folga, ócio”. Este último significado, no caso, seria um tempo ocioso onde era possível ter uma conversa interessante e educativa. Refletindo no etimo do significado de escola, é possível começar a refletir sobre qual o papel desta na educação societária do individuo e como ela pode auxiliar na diminuição de impacto negativo na compreensão da sexualidade e gênero.

Respeitar a diversidade humana é um dos papeis fundamentais da escola. Isso põe também na pauta do respeito o gênero e diversidade sexual, mesmo compreendendo que a educação não é um ato neutro, sendo na prática estreita a relação entre o que cada professor pensa e a sua prática pedagógica.

Segundo Gagliotto (2009. p.18),

[…] a sexualidade configura-se numa das dimensões humanas mais complexas por constituir-se de um elo entre aspectos subjetivos do ser humano (filosóficos, sociais, históricos, antropológicos, pedagógicos e psicológicos) e aspectos biológicos (genéticos, reprodutivos, identidades genitais).

Adentrar ao tema de sexualidade e gênero nas salas de aula através da inserção dos os alunos aos assuntos referentes a estes temas, utilizando-se de conteúdos contemplados dentro das diretrizes curriculares, o que abstém a necessidade de criar uma disciplina apenas para esses fins, pode ser um caminho palatável a curto prazo.

Foucault (1988, p.15), cita que “Dir-me-ão que, se há tanta gente, atualmente, a afirmar essa repressão, é porque ela é historicamente evidente. E que se falam com uma tal profusão e há tanto tempo, é porque essa repressão está profundamente firmada, possui raízes e razões sólidas, pesa sobre o sexo de maneira tão rigorosa, que uma única denúncia não seria capaz de liberar-nos; o trabalho só pode ser longo.” , evidenciando a necessidade de colocar em pauta de discussão e ensinamento as questões de gênero e sexualidade dentro das escolas, a fim de formar uma nova geração que conduzirá o tema dentro da sociedade e da cultura com diretrizes mais sólidas e menos opressoras, por terem conhecimento e contato com o tema desde jovens, gerando mais empatia e menos estranhamento.

Um caso discutido a algum tempo foi o pequeno Romeo Clarke, que foi banido do contraturno por preferir vestidos às roupas masculinas. Romeo tem 5 anos e prefere usar vestidos para suas atividades cotidianas, em Rugby, no Reino Unido. A instituição na qual Romeo frequentava decidiu afastá-lo até que decidisse – palavras da instituição – “se vestir de acordo com seu gênero.” O caso de Romeo infelizmente não é o único. A escola, que deveria ter o papel de abraçar as diferenças, pode ser o ambiente mais opressor existente. A maior parte dos alunos abandonam as salas de aula por não se sentirem seguros e confortáveis nos espaços escolares.

Com a geração z e o novo comportamento societário no qual estamos adentro atualmente, uma mudança cultural é sentida visceralmente e extremamente perceptível em relação ao comportamento social sobre sexualidade e gênero. Paradoxalmente, os alunos começam a ensinar e a cobrar das escolas e instituições de ensino que hajam com respeito à diversidade dos estudantes. “Na contemporaneidade, multiplicaram-se os grupos, os sujeitos e os movimentos, as maneiras de se identificar com gêneros e de viver a sexualidade. Não há apenas uma forma de ser, mas tantas quantas são os seres humanos”, afirma Guacira Lopes Louro, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e uma das principais referências na área de estudos de gênero.

Os fatores que tornam a orientação e ensino sobre gênero e sexualidade dificil, como citado acima, são a falta de instrução na formação curricular docente dos professores sobre os temas e as crenças pessoais inseridas na forma de educar não isenta da opinião de quem constrói e leciona as aulas. Mas é compreendido que o dualismo heterossexual e homossexual não é mais capaz de abranger todas as formas de desejos humanos. É compreensível que a lógica ocidental opere por meio do binarismo: bonito/feio, claro/escuro etc, porém, cria-se a lógica que um termo é sempre considerado superior, e o oposto seu subordinado.

As formas de sexualidade e gêneros se multiplicam e se diversificam dia após dia. Apesar dos alunos – em partes – se engajarem para defender o respeito e o debate sobre o tema, ainda há um longo caminho no sentido de preparar os educadores e as instituições de ensino para compreenderem, refletirem e auxiliarem na construção social dos gêneros de orientações sexuais de cada um como parte integrante e natural da sociedade, cultura e natureza do ser humano.

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